sábado, 1 de junho de 2013

DIA DE CAMÕES

Bandeira de Portugal



O dia de Portugal, de Camões e das comunidades Portuguesas é comemorado no dia 10 de junho, em memória da morte de Luís Vaz de camões.
É uma data que celebra o passado de Portugal e lembra toda a comunidade portuguesa que vive fora do país. O personagem de Luís de Camões representa “o herói da pátria” por toda a sua genialidade. Nos primeiros anos da república o feriado acontecia somente em Lisboa.
A partir de 1933, com a instauração do Estado Novo, essa data foi acolhida como símbolo nacionalista, de exaltação e serviu como ferramenta de publicidade para o regime ditatorial. O feriado passou a ser nacional.
Hoje, a data é celebrada em todo o país com o sentimento de orgulho e respeito. Muitas comunidades organizam desfiles, danças típicas e festas.


quinta-feira, 30 de maio de 2013

CAMÕES E AUTORES DE SUA ÉPOCA


Camões, autor Português, viveu na época do Renascimento e pertencia à estética literária do Classicismo.

As principais obras do Classicismo foram desenvolvidas em dois países: Portugal e Itália.

     Em Portugal, o momento histórico vivido pela Disnatia de Avis (a centralização do poder, as grandes navegações, o comércio) é propicio aos novos tempos que sopram da Itália. Já no final do século XV (1487) é introduzida à imprensa em Portugal, o que possibilita a divulgação das obras de autores humanistas italianos, como Dante Alighieri, Francesco Petrarca e Giovanni Boccaccio.    

           Entre os autores Portugueses de forte inclinação humanista destacam-se os historiadores João de Barros, Damião de Góis e Fernão Mendes Pinto; entre os autores tipicamente renascentistas, estão Sá de Miranda, Antônio Ferreira e Camões.

           A obra de Camões é composta de poesias lírica, uma épica, três peças para teatro e algumas cartas.

            Camões é tradicionalmente considerado o maior poeta lírico português. A sua poesia lírica é marcada por uma dualidade: inclusive escritos em redondilhas; ora são poesias perfeitamente enquadradas no estilo novo do Renascimento. Enquadram-se neste último caso os belíssimos e famosos sonetos camonianos.  

por: Juan Campos

quinta-feira, 23 de maio de 2013

MÚSICAS COM POEMAS DE CAMÕES

LIVROS SOBRE VIDA E OBRA DE CAMÕES






  • Sonetos de Camões
        Autor: Torralvo, Izeti Fragata
        Editora: Atelie


  • De Camões À Pessoa - Antologia da Poesia Portuguesa
        Autor: Tufano, Douglas
        Editora: Salamandra


  •  Poesia de Luís de Camões para Todos
         Autor: Gomes, José Antonio
         Editora: Martins Editora


  • Antologia de Poesia Portuguesa - Século X V I - Camões                
        Entre seus Contemporâneos
        Autor: Hue, Sheila Moura
        Editora: 7 letras

  • Camões - Coleção Conhecendo Nossos Clássicos
        Autor: Lacombe, Amelia
        Editora: Ediouro (Paradidáticos)


  • Camões - Poemas de Amor
        Autor: Camões, Luis Vaz de
        Editora: Ediouro


  •  Camões - Temas e Motivos da Obra Lírica
         Autor: Martins, Cristiano
         Editora: Villa Rica


  •  Camões Épica e Lírica - Coleção Margens do Texto
         Autor: Abdala Jr, Benjamin
         Editora: Scipione


  •  Os Melhores Poemas de Luis Camões
         Autor: Azevedo F, Leodegario A.
         Editora: Global


  • Sonetos de Luís de Camões
        Autor: Azevedo Filho, Leodogário A. De
        Editora: Francisco Alves


OBRAS DE CAMÕES


Obras de Camões



1572- Os Lusíadas


Lírica

1595 - Amor é fogo que arde sem se ver
1595 - Eu cantarei o amor tão docemente
1595 - Verdes são os campos
1595 - Que me quereis, perpétuas saudades?
1595 - Sobolos rios que vão
1595 - Transforma-se o amador na cousa amada
1595 - Sete anos de pastor Jacob servia
1595 - Alma minha gentil, que te partiste
1595 - Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
1595 - Quem diz que Amor é falso ou enganoso


Teatro

1587 - El-Rei Seleuco.
1587 - Auto de Filodemo.
1587 - Anfitriões 

quinta-feira, 9 de maio de 2013

VÍDEOS,FILME E DOCUMENTÁRIOS

ANÁLISE ESTRUTURAL DE DOIS POEMAS


Análise estrutural de dois poemas de Camões.

O poema O amor é um fogo que arde sem se ver, de Luís de Camões, faz parte da lírica clássica do autor, a medida nova


Neste poema, Camões procurou conceituar a natureza contraditória do amor. Não é um tema novo. Já na Antigüidade, o amor era visto como uma espécie de cegueira, uma doença da razão, uma enfermidade de conseqüências às vezes devastadoras. Nas cantigas de amor medievais, os trovadores exprimiam seu sofrimento, a coita, provocada pela desorientação das reações do artista diante de sua Senhora, de sua Dona.



Petrarca e os poetas do dolce stil nuovo privilegiaram, na Renascença italiana, o tema do desencontro amoroso, das contradições entre o amar e o querer e do sofrimento dos amantes e apaixonados.



Leia o poema: 

QUARTETOS1. Amor é um fogo que arde sem se ver,
2. É ferida que dói e não se sente;
3. É um contentamento descontente;
4. É dor que desatina sem doer.

5. É um não querer mais que bem querer;
6. É um andar solitário entre a gente;
7. É nunca contentar-se de contente;
8. É um cuidar que ganha em se perder.

TERCETOS

9. É querer estar preso por vontade;
10. É servir a quem vence, o vencedor;
11. É ter com quem nos mata lealdade.

12. Mas como causar pode seu favor
13. Nos corações humanos amizade,
14. Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Os versos têm estrutura bimembre e contêm afirmativas que se repartem em enunciados contrários (antitéticos). Essas oposições simetricamente dispostas nos versos, acumulam-se em forma de gradação (clímax), para desembocar na desconcertante interrogação/conclusão do último verso sobre os efeitos do amor. As contradições, por vezes, são aparentes porque o segundo membro do verso funciona como complemento do primeiro, especificando-o e tornando-o ainda mais expressivo, quando confronta duas realidades diversas: uma sensível ("ferida que dói") e uma espiritual, que transcende a primeira ("e não se sente").


É o caso do 1º, 2º, 4º e 5º versos. No 1º verso, por exemplo, o segundo membro ("sem se ver"significa interiormente;) no 2º verso, o Amor "é ferida que dói (exteriormente) e não se sente"(interiormente); no 4º verso, o Amor "é dor que desatina (exteriormente) "sem doer"(interiormente) e, no 5º verso, a noção é a de que não é possível querer mais, de tanto que se quer, de tanto que se ama. Mesmo que se tome o referencial fogo como elemento de contraste entre os dois membros desses versos, este mesmo fogo, contraditoriamente, "arde sem se ver".



A reiteração do verbo ser ("É") no início dos versos, do 2º ao 11º, configura uma sucessão de anáforas, uma cadeia anafórica. O soneto inicia-se e termina com a mesma palavra - Amor -, sentimento contraditório, que é o tema da composição. 


Quanto à métrica, os versos são decassílabos (dez sílabas poéticas), com predomínio dos decassílabos heróicos, nos quais a sexta e a décima sílabas são sempre tônicas. 

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O POEMA

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, 
Muda-se o ser, muda-se a confiança: 
Todo o mundo é composto de mudança, 
Tomando sempre novas qualidades. 

Continuamente vemos novidades, 
Diferentes em tudo da esperança: 
Do mal ficam as mágoas na lembrança, 
E do bem (se algum houve) as saudades. 

O tempo cobre o chão de verde manto, 
Que já coberto foi de neve fria, 
E em mim converte em choro o doce canto. 

E afora este mudar-se cada dia, 
Outra mudança faz de mor espanto, 
Que não se muda já como soía
.

 ESCANSÃO (METRIFICAÇÃO) DO POEMA

Mu / dam /-se os / tem / pos, / um / dam / -se as / von / ta / des, 
1         2       3        4        5      6       7        8        9     10
Mu / da / -se o / ser /, mu / da / -se a / con / fi / an / ça: 
1       2       3       4      5     6       7       8     9   10
To / do o / mun / do é / com / pos / to / de / mu / dan / ça, 
1       2       3        4       5         6     7    8     9     10
To / man / do / sem / pre / no / vas / qua / li / da / des. 
1       2      3      4      5      6     7       8     9  10
Con / ti / nua / men / te / ve / mos / no / vi / da / des, 
1       2     3      4      5    6     7      8     9   10
Di / fe / ren / tes / em / tu / do / da es / pe / ran / ça: 
1     2    3      4     5     6    7      8        9    10
Do / mal / fi / cam / as / má / goas / na / lem / bran / ça, 
1       2     3     4     5     6      7        8    9      10
E / do / bem / (se al / gum / hou / ve) / as / sau / da / des. 
1    2      3        4        5      6      7      8     9     10
O / tem / po / co / bre o / chão / de / ver / de / man / to, 
1     2      3     4     5          6       7     8      9    10
Que / já / co / ber / to / foi / de / ne / ve / fri / a, 
1       2     3     4     5     6     7     8    9   10
E em / mim / con / ver / te em / cho / ro o / do / ce / can / to. 
1           2     3       4      5         6       7     8      9   10
E a / fo / ra es / te / mu / dar / -se / ca / da / di / a, 
1       2     3      4     5      6     7      8     9   10
Ou / tra / mu / dan / ça / faz / de / mor / es / pan / to, 
1       2     3     4      5     6     7     8      9     10
Que / não / se / mu / da / já / co / mo / so / í / a.
1         2     3     4     5     6    7     8      9  10

 ESQUEMA RÍMICO (RIMAS) DO POEMA

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,        A
Muda-se o ser, muda-se a confiança:                       B
Todo o mundo é composto de mudança,                 B
Tomando sempre novas qualidades.                        A 
Continuamente vemos novidades,                            A
Diferentes em tudo da esperança:                            B
Do mal ficam as mágoas na lembrança,                    B
E do bem (se algum houve) as saudades.                 A
O tempo cobre o chão de verde manto,                   C
Que já coberto foi de neve fria,                                D
E em mim converte em choro o doce canto.             C
E afora este mudar-se cada dia,                               D 
Outra mudança faz de mor espanto,                         C
Que não se muda já como soía.                               D

ANÁLISE DO POEMA

O poema “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”, de Luís Vaz de Camões, é um soneto, pois está estruturado em quatro estrofes, sendo dois quartetos (estrofes de quatro versos cada) e dois tercetos (estrofes de três versos cada).
Seus versos, do ponto de vista da metrificação, são decassílabos, isto é, contêm dez sílabas poéticas. Quanto ao esquema rítmico, os versos apresentam duas disposições: a) na primeira estrofe, as sílabas tônicas são a 4ª e a 10ª; b) nas demais estrofes, as sílabas tônicas a 6ª e a 10ª.
Por fim, o esquema rímico apresenta a seguinte distribuição: ABBA ABBA CDC .
Como se percebe, nos quartetos, as rimas A são intercaladas (interpoladas ou opostas), na medida em que são os extremos do quarteto, enquanto as rimas B são emparelhadas (paralelas), ou seja, rimam dois a dois; nos tercetos, as rimas C e D são cruzadas (entrecruzadas ou alternadas), na medida em que se revezam nas estrofes.